7 semestres

"Sou um poliglota gago", uma pessoa de muitas palavras, muitas vezes pouco conteúdo devido as fugas. Com a profundidade das palavras, de maneira bem nato, eu emudeço a voz por não saber lidar com coisas que palavras não traduzem, por mais belas que sejam.

Foi assim que começou uma amizade de poucas palavras mas tanto conteúdo. Era se como falassemos a linguagem dos sinais. Bastava um gesto, um olhar, um abraço ou aperto de mão. Quantas vezes um toque carinhoso na nuca disse tantas palavras sem nossas vozes.

Mas como eu não soube conversar, os sinais falaram por mim. Quando a ausência se tornou presença, era sinal de que estou fazendo algo muito errado. O abandono é como o veneno que mata o jardim, faz as rosas perderem a essência, e por mais que o adubo seja o amor de Deus, sem os cuidados necessários, tudo se perde.

A verdade é que depois de tanto tempo, entre indas e vindas, Eu estou tão cansado De ver as pessoas partirem cedo demais da minha vida, não partir simplesmente no simples fato de não usarem mais o oxigênio, mas partir por ausência, partir porque o cuidado necessário deixou de ser presente em ambas as partes.

A história não acabou, ninguém morreu ainda, mas o roteiro já está inerte. As histórias, as viagens, as conversas, os filmes, a escola, o grupo de jovens etc. Quando tudo virou lembrança Então eu sei que acabou, porque as lembranças só existe quando acabam, estão marcados como códigos de barras na memória e quem faz essa leitura é a saudade.

Quem dera eu saber: o que houve com nosso olhar?
Que mudou com o tempo, mudou com os acontecimentos, quem dera eu saber onde foi o erro de fato, onde o excesso ou a falta machucaram. Quem dera eu saber a forma fria de abandono, de ignorar algo, ou um gesto que justamente um dia este melhor olhar havia me confortado.
Por mais que batamos as mãos no peito para dizer que: PRECISO SOMENTE DE DEUS, é justamente Deus que muitas vezes usou este mesmo olhar do outro para me fazer entender que precisar de Deus, é entender que Deus está no outro, precisar de Deus é precisar do outro.

Quem sabe um dia volte a encontrar e a depreender a extrair de todos o melhor, que tudo de melhor do outro posso me alcançar. Que hoje sou o que sou, devido ao melhor do outro que um dia eu aprendi a perceber, aprendi a aprender, então saberei, que pelo menos neste pouco tempo de intenso olhar, tive a chance de ser melhor do que fui.

Coloquei tanto um coração perfeito, que Na medida da perfeição, eu sou um imperfeito Que procura exatidão por onde passa, e passou, devido a tantas cobranças de perfeição que eu mesmo não tinha, não tenho e não terei. No controle do imperfeito, era o imperfeito que me controlava e não notava. Mesmo Deus mostrando o caminho de como agir, de como ser, a perfeição nunca fez parte do ciclo, penso eu que quando atingimos o perfeito, por si só, o perfeito se completa, não precisa do outro, não precisa do amigo.

Diante de tantas ausências, tantas saudades e lembranças, de tanto querer que o tempo pare e nada mude, Descobri que sou o fraco que tem sido forte há muito tempo,como já nos ensina a passagem bíblica. Um coração que raramente chora, Mas quando acontece, É simplesmente por nada, porque é justamente o nada que o acompanha há muito tempo.

"Quem sempre teve Deus como o centro das atenções
Jamais precisou secar as lágrimas
Quando o amor se ausentou"

Descobri também que o ágape de Deus é perfeito, mas o nosso talvés nunca alcance tal perfeição, mas mesmo assim, ambos ainda possuem algo em comum, são solitários.

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