Átimo
Carrego nos ombros o fardo do meu humanismo renascentista. É como uma fraqueza ou vício que opõe a tudo que doutrinei a vida inteira. Sou parte deste egoísmo. Sou a conversa não dialogada de olhares trocados e promessas tatuadas em gestos. Não quero ter todas as pessoas do mundo, pois não pertenço a mim mesmo, e corro o risco de ser estelionatário de sentimentos alheios, afinal não sou responsável pelas carências do cativado. Almejo apenas brevemente estar no lugar Daquele que zela por mim. Não faço parte da comunidade de idiotizados esperando um coletivo social, quando na verdade, as pessoas pensam em si e nos seus merecimentos. Imagine uma competição esportiva onde todos almejam ganhar seu prêmio. Se o importante fosse de fato somente participar, qual o motivo de troféus? Lugares e colocações? Por outro lado, onde está escrito que o adversário é seu inimigo? São apenas lados diferentes de uma mesma moeda. Ideia ilusória de coletivo. Não somos mosqueteiros. E quando conseguim...